Escola de música forma nova geração de sanfoneiros na Paraíba

maio 26, 2024 0 Por Editor

O professor de sanfona, Lucílio Souza, afirma que para se tornar um sanfoneiro é necessário pouca coisa. E se você é nordestino, já está com meio caminho andado. “Primeiro tem que gostar da nossa música, gostar da nossa cultura, e acho que isso todo nordestino gosta, todo nordestino não pode ver uma sanfona tocar que bate o pé”, explica.

Ele forma novas gerações de sanfoneiros na Associação Balaio Nordeste, localizada no Centro Histórico de João Pessoa, que se dedica a valorizar, divulgar e preservar o forró. Na escola, os músicos aprendem gratuitamente a tocar sanfona e não precisam adquirir o seu instrumento, porque a própria instituição disponibiliza para o estudo.

Em entrevista ao Paraíba Comunidade deste domingo (26), Lucílio explicou que a instituição tem uma oficina de sanfona que dura 10 meses e estão estruturando um curso de sanfona, com duração média de dois anos e meio. Podem participar crianças, adolescentes, adultos e idosos que vão aprender conteúdo teórico e prático sobre o instrumento, além de conviverem com mestres da sanfona que participam do projeto.

O coordenador pedagógico da associação, Vinícius Frias Bueno, explica que a didática da escola foi pensada com objetivo de preservar a cultura popular.

“Aqui na Escola Mestre Dominguinhos a gente tem o intuito de preparar as pessoas tanto para se profissionalizar, trabalharem com a música, ou realizar o próprio sonho de tocar um instrumento com o intuito de preservar essa cultura do forró tradicional da nossa região”, afirmou o coordenador.

Além da sanfona, os estudantes também podem aprender a tocar violão, percussão e canto popular, sendo este último em parceria com uma escola municipal. Todos os cursos são oferecidos gratuitamente.

Sanfona é símbolo de recomeço para estudantes

Cibelle Lobo estuda sanfona na Associação Balaio Nordeste. Reprodução/TV Cabo Branco

A estudante de sanfona Cibelle Lobo contou ao Paraíba Comunidade que conheceu o instrumento quando enfrentava um tratamento oncológico na pandemia de Covid-19.

“A sanfona entrou na minha vida de uma forma muito bonita, de resgate de mim mesma, porque foi através da música que eu estou conseguindo me redescobrir, me ressignificar, então pra mim está sendo uma benção e um novo recomeço”, afirma Lobo.

Cibelle afirma que o Balaio Nordeste abriu portas para ela e permitiu que nascesse novamente na música. A sanfona é um instrumento novo para ela, continua sendo desafiador, mas também é uma companhia. “Eu tenho a teoria que nenhum sanfoneiro padece de solidão porque é um instrumento que abraça, é um instrumento fantástico, que conversa”, afirma.

“Sanfona não tem futuro nenhum, tem presente. Sanfona é presente, é esvaziar, é se dedicar, é disciplina, é estado de presença, de dedicação, de atenção. É só presença, não tem passado, não tem futuro. É um momento mais pertinho até de Deus, que tá dentro da gente”, afirmou Cibelle Lobo.

Vandeilson Gonçalves, também estudante de sanfona, explica que conheceu o instrumento após sofrer um acidente. Agora, ele planeja trabalhar com a sanfona no futuro e sempre estuda na própria instituição de ensino.

“A sanfona tem me salvado de coisas tristes que eu vivi, foi uma renovação muito grande na minha vida depois que eu comecei a tocar sanfona”, afirmou.